Ainda é difícil ser adotado. Se for portador de alguma necessidade especial ou tiver uns aninhos a mais, conseguir um novo lar é uma missão ainda mais complicada. Antigamente, eram frequentes os casos de sacrifício de animais que estavam nessas condições. Hoje, mesmo que o preconceito venha diminuindo gradativamente, ainda há muito a se fazer.


É pela perfeição a incessável busca de todos nós. Seja em casa ou no trabalho. O problema é que para muitos, diferir-se dos padrões definidos como "normais" é o passe livre para excluir ou discriminar. E esses são problemas que transcendem as relações sociais e envolvem até mesmo os pets.

Segundo o veterinário Elton Medeiros, não há números exatos que comprovem que o maior índice de animais abandonados é o de animais mais velhos ou especiais. Mesmo assim, o médico afirma que o problema existe e precisa ser enfrentado.

O alto número de animais adultos abandonados se deve ao mesmo fator que é levado em consideração quando se adota uma criança. Se já não é mais um bebê, a espera por um novo lar parece ainda mais distante. O que poucos sabem é que, na verdade, os animais mais velhos dão menos trabalho. "Não choram, são mais fáceis de educar e já passaram pela fase de roer tudo", afirma o veterinário.

No segundo grupo, o de animais especiais, o quesito trabalho já não é o mais favorável. Dependendo do tipo de deficiência, os pets especiais podem dar um pouco mais de trabalho, mas, ainda assim, uma alegria infinita.


História de Mel...


Numa certa manhã, ao chegar em sua própria clínica veterinária, Dr. Elton Medeiros deparou-se com um saco que se movia. E chorava, bem baixinho. A cadelinha de pouco mais de 30cm de comprimento fora abandonada durante a noite e precisava de um novo lar. Mas foi ao tirá-la do saco que Elton pode perceber que não seria assim tão fácil.

Batizada de "Lombrinha", a visita tinha agora um lar provisório, até que pudessem encontrar uma família disposta a cuidar dela. Feitos os exames, foi constatado que a cadelinha tinha aproximadamente um mês, não tinha raça definida e havia sofrido uma forte pancada que comprometia sua mobilidade.

Lombrinha muito se movimentava, mas quase não conseguia se levantar. Fez sessões de fisioterapia e, por um bom tempo, também foi submetida a um tratamento de acumputura.

Dois meses haviam se passado e Adilson Gomes foi à clínica levar sua cadelinha para um banho. Chegando lá, falou do interesse em adotar um novo filhote e que gostaria de ajudar um cãozinho deficiente. Segundo Dr. Elton, a surpresa foi grande e ele prontamente tratou de apresentar Lombrinha ao que, em poucos dias, seria parte de sua nova família.

Lombrinha chegou à sua nova casa e logo foi batizada por Mel. Tinha como companhia Luna, uma mistura de basset e pinscher, e Estopa, uma yorkshire. O período de adaptação pareceu, no começo, um pouco complicado para a família, mas Mel sempre pareceu pertencer aquele lugar.

Aos poucos acostumavam-se com sua rotina, suas necessidades e sua agitação sem fim. Para Auxiliadora, esposa de Adilson, a maior dificuldade era encontrar maneiras para que Mel não batesse em móveis e se machucasse.

Mel continuou com as sessões de acumputura por um tempo. Tomou anti-estresse e florais para controlar a agitação. Hoje, com pouco mais de um ano, cresceu e tornou-se um pouco mais independente. No tamanho, deixou Estopa e Luna pra trás, o que faz dela uma ameaça com patas grandes demais para caber em qualquer colo e um coração do tamanho do mundo.


Por: Marina Padilha


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