Lena Costa Carvalho e o Adote um Vira-Lata
Por Rennata Lins

Helena Costa Carvalho, mais conhecida por Lena, tem 27 anos e já possui uma história significativa na causa animal. Graduada em jornalismo, mestre e doutoranda em sociologia, ela também é vice-coordenadora do Adote um Vira-Lata, projeto de extensão da UFPE que, em dezembro, completa 5 anos. Esse projeto tem o objetivo de promover o bem-estar animal e prevenir o abandono de gatos e cães na Região Metropolitana do Recife. O grupo realiza atividades em escolas, produzem material informativo, realizam mutirões de castração, promovem eventos mensais e conversam com tutores de animais afim de esclarecer dúvidas sobre assuntos como: castração, bem-estar, maus tratos, saúde e legislação de proteção animal.

Para Lena, seu primeiro envolvimento com a Defesa Animal ocorreu há cerca de 10 anos, quando resolveu parar de comer qualquer tipo de carne. Mas foi há 3 anos e meio que ela iniciou, de fato, suas atividades de proteção a animais de companhia, ingressando para o Adote um Vira-Lata. "Nesse tempo fazíamos resgates e contribuíamos com um abrigo de Recife, fazendo mutirões de medicação dos animais e mutirões de castração. Fomos percebendo que não importava quantos animais retirávamos do abrigo, pois toda semana outros eram abandonados na porta", conta Lena. Ela também conta que o fato daquele(a) protetor(a) gostar e cuidar de muitos animais não significa que ele tenha condições de receber mais alguns, pois a realidade de um abrigo é outra. "Quem vive em um abrigo passa o dia inteiro limpando cocô e xixi, assistindo ao sofrimento dos animais que adoecem e se endividando para comprar ração para os animais". A partir disso a equipe do Adote percebeu que precisavam trabalhar para prevenir o abandono, e foi aí que começaram a promover atividades voltadas para o direito dos animais em escolas do Recife e a fazer campanha permanente de castração, levando informações para as pessoas e encaminhando-as para as clínicas onde podem encontrar esse serviço a baixo custo.

"Não é proteção, por exemplo, resgatar, levar pra casa e ficar assistindo o animal reproduzir várias vezes por ano e depois jogar as fotos dos filhotes na internet pra encontrar um lar pra eles. Atualmente tem muita gente fazendo isso, mas isso não se configura como proteção, pois esta envolve, antes de mais nada, a guarda responsável. Protetores que fazem resgate são aqueles que oferecem cuidados veterinários, castração ou esterilização e adoção para os animais resgatados. Tirar um animal das ruas e colocá-lo em um abrigo é outro desfavor que alguns desavisados têm feito acreditando que estão fazendo proteção. Digo essas coisas porque atualmente a mídia tem dado bastante espaço para o assunto, mas nunca conseguimos emplacar uma matéria que esclarecesse esses pontos: resgatar sem castrar não adianta de nada, pois o animal resgatado dará crias, e crias que acabarão abandonadas nas ruas, e colocar em um abrigo é um desfavor pois em abrigos a circulação de doenças é muito grande, os animais adoecem o tempo todo e os filhotes, em geral, morrem sofrendo muito", Lena Carvalho.



O Adote um Vira-Lata se mantém, basicamente, da renda obtida com a venda de produtos como: camisas, bolsas, chaveiros, etc. E através do apoio da Proext/UFPE eles conseguem material para os eventos de adoção e para impressão de material informativo e de cartazes. O grupo também estabeleceu algumas parcerias, com o Centro de Vigilância Ambiental (CVA), com grupos de proteção da RMR (Brala, Projeto Patinhas e Savama), além da Sociedade Vegetariana Brasileira e com a Ativeg, que passaram a divulgar, nos últimos meses, o vegetarianismo em stands nos eventos. Segundo Lena, a principal dificuldade desse trabalho é a falta de políticas públicas. Mesmo com a lei que proibiu a matança de cães e gatos nos CVA e substituiu essa política de controle populacional pela esterilização (castração), que é recomendada pela OMS há mais de dez anos, o governo do estado ainda não promoveu nenhum mutirão de castração e a clínica do CVA faz poucas cirurgias. "Para reduzir a população de animais em situação de rua, a única maneira é fazendo esterilizações em massa, para que as pessoas parem de abandonar cães e gatos nas vias públicas. Para isso é preciso oferecer a cirurgia gratuitamente ou a baixo custo e de forma descentralizada. Além disso, é preciso fazer campanhas de esclarecimento sobre a castração, pois muitos tutores de animais ainda desconhecem a cirurgia ou têm medo dela".



Nos eventos do Adote, o grupo recebe pessoas que nunca ouviram falar em castração, pessoas que desconhecem os locais onde a cirurgia é feita, e até pessoas que acreditam que o procedimento pode prejudicar o animal. Por isso que a equipe do Adote um Vira-Lata tem como parte essencial de seu trabalho esclarecer a respeito desse assuntos, e para que isso tenha um resultado favorável, eles acreditam que o poder público deve assumir o tema para que ele alcance a grande população.




Para saber mais sobre as ações de Lena dentro do Adote um Vira-Lata, click aqui



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